Nosso intercâmbio de 1 mês no Canadá!

O Canadá é um destino que está sempre em alta. É lindo em qualquer época do ano, relativamente perto, boas opções de voos e é uns dos queridinhos de quem sai do Brasil para estudar inglês por um tempo. Foi o nosso caso. Fomos Eu, Marcelo e um casal de amigos. Estudamos e passeamos muito!

5 anos após o meu intercâmbio de 9 meses na Austrália nós viajamos ao Canadá para dar mais uma estudada na língua inglesa. Na verdade foi uma bela desculpa para passar umas semanas fora do Brasil e de quebra aproveitar para viver como canadense por uns dias.

Desde que nos casamos, 4 anos antes dessa viagem, a gente vinha falando em passar um tempo viajando e estudando, começamos a falar em Canadá por ter voos mais em conta que a Austrália (que era o plano “A” mas só rolou agora em 2017), por ser mais perto, por estar próximo aos EUA onde também gostaríamos de passear, enfim, vários motivos nos levaram a escolher essa terra gelada para nossa primeira aventura juntos.

Uma vez que escolhemos o Canadá, eu comecei a pesquisar sobre as cidades. As duas primeiras que vem a mente são Toronto e Vancouver, é claro que existem outras maravilhosas, mas para uma primeira vez no país, essas duas são as mais faladas e parti daí minhas opções. Já tínhamos acordado que iríamos no Outono e então o clima foi um fator que contou na nossa escolha. A gente queria ver a neve, queria a companhia do frio mas não queria congelar!

Viagem pelas Montanhas Rochosas

Em seguida pensamos na cidade em si, queríamos ver mais a natureza, andar muito a pé, ter uma cidade menos lotada e aí foi meio no automático que preferimos Vancouver. Acabamos não levando em conta a chuva fina e constante que espanta um pouco o frio mas traz água caindo de céu praticamente 24 horas por dia, fazendo com que dias de sol quase não existam nessa época do ano em Vancouver (conhecida como Raincouver ou Vanchuver, abrasileirando a piada). Depois eu conto mais como foi o clima afetou nossa viagem.

Nossas escolhas

Começamos nosso planejamento pela escolha do curso e da escola de inglês. Fiz contato com várias agências de intercâmbio e escolhi a Canadá Destino, em São Paulo. Fui muito bem atendida e o fato de eu morar em BH não fez diferença. Fizemos conversas pelo Skype e por e-mail e poucos dias depois já tínhamos definido que iríamos estudar por 4 semanas, curso de inglês geral, máxima carga horária disponível, escola boa, bem conceituada e fechô. Decidimos também que a acomodação seria em casa de família, queríamos contato direto com moradores de lá, praticar o inglês e fazer novas amizades. A gente preencheu um formulário para que eles identificassem famílias com nosso perfil e na verdade a gente praticamente não disse nada no formulário. Deixamos por conta do acaso e acabamos numa família super diferente, vindo da Malásia, veganos, com muitos filhos e com um deficiente visual sendo o chefe da família.

Família Canadense
Alguns membros da família que nos hospedou

Foi mais uma experiência que fez parte dessa viagem. Convivemos com uma pessoa cega durante 4 semanas e descobrimos que ser deficiente visual no Canadá é certamente mais descomplicado que em países como o nosso. O Governo canadense tem uma espécie de catálogo de todos os deficientes visuais cadastrados e provê uma central telefônica que os localiza via GPS em caso de emergência, também fornece dados sobre o transporte público, com informações detalhadas de quantos metros a pessoa tem que andar até o ponto mais próximo e por último, acreditem, eles também dão o cão guia, pagam a ração, medicamentos e veterinário dele e ainda garante uma espécie de férias anual para o cachorro, para que ele não se estresse e fique muito cansado. Sem contar, é claro, a infraestrutura das ruas planas, padronizadas e eficientes. País de primeiro mundo, como a gente costuma ouvir, é realmente uma coisa surpreendente!

O nosso “pai de família” trabalhava num grande banco canadense, ia e vinha sozinho de ônibus, tinha celular e computador com comando de voz e levava uma vida tão normal quanto possível. A gente o via lavando louça, guardando coisas pela casa e volta e meia nos esquecíamos que ele não enxergava nada. Foi uma experiência bem diferente!

Voltando ao assunto da escola, começamos a pagar o curso quase 1 ano antes da viagem. O valor gasto com a Canadá Destino englobava as 4 semanas de inglês, curso das 9h às 15h, de segunda a sexta, sendo que sexta a aula terminava ao meio dia. A taxa de matrícula, material escolar e mais 4 semanas de acomodação em casa de família também foi pago à agência, somando aproximadamente R$ 8 mil o casal (valores da época da negociação, outubro de 2011). Farei um post sobre a experiência de ficarmos hospedados em casa de família, viajando em casal, como foi o nosso caso.

Escolhendo as passagens

Em seguida, começamos a ver as passagens. Queríamos ir também aos Estados Unidos então já pensamos numa cia aérea que iria para Vancouver passando por lá e assim esse stopover na volta não nos custaria nada. A grana era curta e os voos caros. Fizemos malabarismos com conexões e acabou ficando uns voos super longos que na época eu nem me importei, só queria ir! hahaha… Hoje, certamente, eu iria procurar melhores paradas e conexões. Decolamos de BH para Miami, depois pra Dallas, ficamos em Dallas por 10 horas e finalmente partimos para Vancouver.

As cores do Outono!

Foram mais de 30 horas de viagem ao todo. A volta seria 4 semanas mais tarde, saindo de Vancouver com destino a Los Angeles e de Las Vegas para BH com conexão em Miami. O trajeto de Los Angeles para Las Vegas nós fizemos de carro, ficamos 8 dias nos Estados Unidos. Gastamos em torno de R$4,5 mil com passagens para o casal, lembrando que o dólar era 1,73 em janeiro de 2012 quando emitimos essas passagens, que saudades dessa cotação do dólar 🙁

Emitindo os vistos

Bom, escola e passagens acertados. Começamos a ver a parte dos vistos. Começamos pelo visto mais enjoado de fazer, o americano é claro. Optamos por fazer sem ajuda de agências de vistos, ficamos dias lendo e relendo os formulários enormes e cheios de perguntas, preenchemos tudo, pagamos as taxas (R$500 o casal / março de 2012). Marcamos a entrevista na embaixada de Brasília, viemos para fazer o visto, aproveitamos para visitar nossas famílias e deu tudo certo. Visto válido por 10 anos!

Partimos então para o visto canadense, naquela época brasileiros ainda precisavam de visto para o Canadá. Hoje em dia, quem tem visto válido para os Estados Unidos ou já teve um visto emitido para o Canadá em algum momento nos últimos 10 anos, não precisa mais de visto canadense. Como a conversa naquela época era outra, tivemos que emitir o visto e novamente fizemos sem ajuda de terceiros. Tiramos uma tarde para ler com cuidado as informações do consulado, juntamos a papelada e mandamos via correios para departamento de vistos canadense de São Paulo. Deu tudo certo. Poucos dias depois recebemos nosso passaporte com nossos lindos vistos emitidos. O valor foi de R$485 o casal (julho de 2012). Para informações atualizadas do visto canadense, clique aqui.

Os últimos preparativos

Depois de tudo isso pronto, já faltavam pouco mais de 2 meses para a viagem. Nesse tempo dediquei-me ao roteiro dos USA onde teríamos menos tempo e muita coisa pra fazer. Começamos a pensar nas malas e hoje vejo como a gente muda, amadurece, eu diria… rsrsr. Nós saímos do Brasil com 2 malas gigantes e voltamos com 4. Praticamente 80% do que eu levei eu não usei e hoje jamais faria isso de novo. A gente precisa de muito pouco para passear feliz e coisas que você não usa frequentemente aqui, jamais usará lá. Em viagens a gente só quer conforto e praticidade e certamente carregar quase 80 quilos de tranqueiras não entra no quesito “praticidade”.

Nesse tempo eu fiz as reservas dos hotéis de Los Angeles e Las Vegas, compramos os tickets dos passeios mais caros para já irmos pagando, fizemos reserva do carro alugado para os 8 dias nos States e fiz também a contratação do seguro viagem, que mais uma vez  me faz lembrar que eu melhorei meus padrões de viajante. Naquela época fiz o seguro por fazer, sem prestar atenção nas coberturas, sem nenhuma atenção aos detalhes e graças a Deus deu tudo certo, mas em caso de uma emergência verdadeira como cirurgia ou doença grave, ele não teria dado nem para o cheiro. Farei um post sobre esse assunto. A máxima, “seguro morreu de velho” vale a preço de ouro, ou diria melhor, a preço de dólar, quando estamos fora de casa!

A cidade de Banff

Os passeios do Canadá eu já tinha uma ideia de quais seriam, logo que chegamos lá procuramos uma operadora local de turismo e acertamos uma viagem para as Montanhas Rochosas, onde vimos neve e fizemos um passeio incriiiivel por 4 dias. Conhecemos a vizinha Whistler, cidade charmosa e linda que recebeu os Jogos de Inverno de 2010. Acertamos também uma visitinha em Seattle, que já é Estados Unidos mas é possível ir por via terrestre e é super rápido. Passamos o dia por lá.

As boas lembranças

Nossos 30 dias no Canadá foram cheios de aprendizado, melhorei muito meu inglês, conhecemos pessoas que até hoje temos contato. Aulas sensacionais, professores nota mil. Apesar do frio e chuva, todos os dias passeávamos em lugares diferentes, comíamos mal, regrando dinheiro porque refeições são caras por lá e porque nossa família tinha jantar pronto para nós, mas a gente acabava não comendo porque a pimenta, a dieta, o tempero e o modus operandi deles de comerem com as mãos, sem usar talheres e lambendo os dedos, deixavam a gente meio sem apetite.

A turma da escola

Hoje vejo que eu poderia ter entrado mais no clima, relaxado, comido pimenta em vez de comida, rsrsr… Mas naquela época eu preferia hamburguer de 2 dolares do Mc Donalds e também morangos. Como eu comi morangos nesse 1 mês! Eram maravilhosos, lindos, gostosos e baratos! Outra lembrança forte que tenho é de comprar sucos de caixinha por 0.50 cents e deixá-los na janela pra gelar. Nosso quarto era super aquecido por causa da calefação central da casa, mas do lado de fora, a noite já beirava os 0º, então rapidinho o suco ficava geladinho quando a gente o colocava para tomar um vento! hehehe

A rochosas ao fundo, branquinhas de neve

Bom, gostaram? Farei outros posts do Canadá, contando sobre cada passeio especial e também falando sobre o clima e como tudo muda de acordo com a época do ano. Aqui, em grande parte do Brasil, a gente mal sente a troca das estações. Lá, as pessoas programam nascimentos, batizados, formaturas, festas, casamentos e tudo que puder, para o verão. Ele é aguardado ansiosamente, muda o astral das pessoas, deixa todo mundo sorrido a toa. A primavera tem cara de sexta-feira, sabe? Quando a gente sente que vem coisa boa pela frente. E o outono eu vejo como se fosse o domingo, quando a gente ouve a música do Fantástico e sabe que o melhor do fim de semana já passou… O outono é lindo de morrer! Mas ele anuncia a chegada do frio, na neve, do recolhimento, das pessoas mais caseiras. Eu nunca deixarei de amar o outono, ela é minha estação favorita, mas tenho que assumir que o Canadá no verão deve ser um país ainda mais fantástico do que o que eu conheci. Nossa viagem foi em outubro de 2012 e transformou nossa vidas de um modo inexplicável.

A charmosa Whistler

Deixe nos comentários suas sugestões de posts. Ficarei muito feliz em ter a participação de vocês por aqui! Beijos!

 

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