Viagens e Vinhos, tem coisa melhor?

Oi gente, resolvi escrever um pouco mais sobre minha outra paixão: vinhos! Só eu que acho que viagens e vinhos combinam muito?! Nada me deixa mais entusiasmada que combinar essas duas coisas! O meu gosto pela enologia começou nem sei bem quando ou como, quando vi, eu já sabia escolher os vinhos que mais tem a ver comigo e hoje por onde eu passo, eu procuro conhecer os vinhos locais, degustar os sabores das uvas da região e com isso eu vou melhorando minha afinidade com a Bebida dos Deuses.

Vinícola Casa Valduga – Agosto/2017

Pensando um pouco mais sobre o assunto, lembro que há uns 7 anos, em BH, quando eu ia comprar vinhos para acompanhar alguma iguaria que o marido faria no jantar – Yeah!, o marido cozinha e eu bebo – eu adorava ouvir os funcionários das sessões de vinhos lá do Verdemar explicando porque tal vinho seria mais “fácil” de beber ou porque outro vinho “pede” uma comida mais gordurosa. Isso me chamava a atenção, comecei meio de brincadeira a dizer que o vinho praticamente tem alma, heheh… e assim vim desenvolvendo mais gosto pela coisa.

Em 2015 o Marcelo me deu um Curso de Vinho para Iniciante de presente. Foi uma surpresa linda e em um momento que eu estava super precisando de novidades, de aprender coisas diferentes. O curso foi em Brasília e se você quiser ler mais sobre o enólogo que o ministrou e sobre seus cursos, clique aqui. Lá eu aprendi, entre outras coisas, que Enólogo é o cara que estuda os vinhos, a ciência do vinho enquanto Sommelier é a pessoa que serve o vinho à sua mesa, ou seja, o “garçom” de vinhos. Foram 3 horas de aula em cada encontro e 4 encontros ao todo. Todos com harmonizações ao final para entendermos na prática o que tínhamos aprendido. Foi sensacional e aí que peguei gosto de verdade pelos vinhos e suas histórias.

De lá para cá somei algumas viagens, algumas visitas a vinícolas, vinhos tomados em alguns lugares do mundo e posso dizer: estou looonge de entender alguma coisa! Hahaha…. É muito difícil! Uma ciência complexa, cheia de variáveis. Mas eu aprendi que não existe vinho bom ou vinho ruim. Se você gostou, se agradou seu paladar, está valendo! Para mim, também não existe um vinho que não combina com tal coisa. Se eu gosto dessa combinação, por que não?

Uvas e seus países de origem

Atualmente há bons vinhos em muitos lugares do mundo. Mas existem algumas regiões que se destacam pela tradição. Em outras palavras, temos os vinhos do Velho Mundo, que são os vinhos produzidos onde surgiu a cultura da uva, principalmente países europeus e outros em torno da bacia do Mediterrâneo. Enquanto, vinhos do Novo Mundo são os vinhos produzidos em geral pelos países fora da Europa, que estão cada vez mais presentes no mundo da enologia, países com vinhos tradicionais, muitos bem elaborados. Os mais importantes produtores de vinhos do Novo Mundo são: África do Sul, Argentina, Austrália, Chile, Estados Unidos, Nova Zelândia e Uruguai. O Brasil vem ganhando destaque nesse rol, mas sem dúvidas pendendo mais para a produção de espumantes. Diria que em breve os espumantes brasileiros estarão entre os melhores do mundo!

Vinícola Don Laurindo – Bento Gonçalves/RS

Não é uma regra, é claro, mas cada país “gosta” de ter sua uva de especialidade. Aquela uva que se deu bem naquele solo, que tem uma boa produção ou que fez uma safra especial. Assim, acabamos por “conectar” algumas uvas a determinados países. Eu adoro isso, porque vou chegando num país diferente e corro para comprar o vinho da uva tal, que já sei ser a queridinha do lugar. Lembrando que existem uvas que se dão super bem em mais de um país, produzindo vinhos deliciosos em mais de um lugar.

Países do Novo Mundo:

África do Sul: Pinotage

Argentina: Malbec

Austrália: Shiraz

Brasil: Merlot

Chile: Carménère, Cabernet Sauvignon e Sauvignon Blanc

Estados Unidos: Zinfandel e Pinot Noir

Nova Zelândia: Sauvignon Blanc e Pinot Noir

Uruguai: Tannat

Países do Velho Mundo:

Alemanha: Riesling, Gewrtztraminer

Espanha: Tempranillo

França:

Bordeaux Pomerol: Merlot (aliás a Merlot é de origem Francesa)

Bordeaux Paulliac: Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot

Bordeaux Saint-Émilion: Cabernet Franc

Bourgogne: Pinot Noir e Chardonnay

Champagne: Pinot Noir e Chardonnay

Cahors: Côt (Sinônimo de Malbec)

Vale do Rhône: Syrah

Itália:

Toscana: Sangiovese

Piemonte: Barbera

Abruzzo: Montepulciano

Campania: Aglianico

Sardegna: Garnacha Tinta (Cannonou)

Sicília: Nero D´Avola

Veneto: Corvina Veronese

Portugal:

Vinho Verde: Alvarinho e Loureiro

Douro: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca.

Esse ano eu tomei muitos e muitos Shiraz na Austrália e alguns Sauvignon Blanc em Nova Zelândia. Como eu disse, eu fazia questão de repetir as mesmas uvas, de diferentes safras para ir conhecendo mais sobre essas características marcantes de cada país.

Um dos muitos Shiraz Australiano – Maio/2017

Algumas palavrinhas sobre o mundo dos vinhos

Então vamos lá… vou colocar aqui alguns termos usados quando estamos falando de vinhos:

Bodega – O mesmo que vinícola, mas entende-se que seja menor e mais caseira. Usada normalmente em países de língua espanhola.

Corpo – É a sensação do vinho em boca, como se fosse o “peso” do vinho.

Enologia – Ciência que estuda tudo o que está relacionado com a produção e conservação de vinho, desde o plantio, escolha do solo, vindima, produção, envelhecimento, engarrafamento e venda.

Fim-de-boca –  Termo usado para descrever as sensações gustativas, ligadas ao paladar e olfato, sentidas após a degustação do vinho.

Amadeirado – Termo usado para definir os vinhos que ficaram em barricas de madeira Carvalho, amadurecendo antes de serem engarrafados. É possível também que o vinho tenha ficado em barricas de alumínio com lascas de Carvalho, que é uma forma de deixá-lo mais barato sem perder essa qualidade da madeira envelhecendo junto com o vinho.

Frutado –  Quando um vinho tem sabor acentuado de frutas, das próprias uvas ou marcado por sabores de frutas que influenciaram em sua produção. Em geral eles tem essa característica quando são vinhos mais jovens.

Champagne – Espumante produzido na região de Champagne, na França.

Prosecco – Espumante de uma uva com o mesmo nome, produzido na Itália, mas que por não ter Denominação Controlada, pode também ser produzido em outras regiões do mundo.

Champenois – Um dos métodos de produção de espumantes que consiste em fermentar pela segunda vez o vinho,  já dentro de sua garrafa. Tradicionalmente inventado na região da Campanha Francesa, Champagne.

Decantar – Método usado para separar qualquer sedimento de uva que possa ter ficado na garrafa, usado geralmente para vinhos mais velhos. Mas, pode ser também um outro nome para aeração, que é o ato de despejar um vinho, em geral mais jovem, em um recipiente apropriado – decanter – para que este se misture ao oxigênio e “amadureça” naturalmente. 

Degustação – Usar os sentidos para saborear e analisar o vinho.

Frisante – Um vinho levemente gaseificado, em geral mais fresco e leve.

Licoroso – Vinhos com maior concentração de açúcar e maior teor alcoólico, geralmente apreciados como sobremesa.

Jovem – Vinho ainda em processo de maturação.

Maduro – Vinho que já atingiu o estado esperado de maturação.

Reserva – Em alguns lugares do mundo, diz do vinho que esteve em Carvalho por pelo menos 1 ano. Mas em outros lugares esse procedimento não é regulamentado, sendo então apenas o nome de vinhos de melhor qualidade, mais bem elaborados.

Gran Reserva – Novamente, em alguns lugares do mundo, diz do vinho que esteve por pelo menos 2 anos em Carvalho. Mas em outros lugares trata-se apenas dos melhores rótulos produzidos naquela Vinícola.

Tanino – É um “gosto” derivado das cascas e sementes da uva, aquilo que “aperta” na boca assim como a sensação da banana verde. Em geral vinhos brancos tem menos taninos que vinhos tintos, esse fato se deve ao processo de elaboração do vinho e repouso em barricas de carvalho. 

 

Yering – Vinícola em Melbourne – Austrália/2017

Gostaram? Qual a uva preferida de vocês? Eu gosto de muitas, quase todas! srsrs… Mas se for para escolher, minha preferida é a Carménère. Gosto muito dos brancos também, sendo a Riesling minha uva branca predileta.

 

10 Replies to “Viagens e Vinhos, tem coisa melhor?”

  1. Amiga, mandou benzaço no post! Aprendi muito e tb gosto mto de um vinho e visitar vinícolas! Faremos isso alguma vez juntas, que tal???
    Meu vinho favorito está entre Carmenere e Cabernet Sauvignon. Um pouco de dúvida. Estou ainda pendente de ler outros posts, porque a jornada aqui estava puxada. rsrs Mas agora no vôo e no Brasil, aproveitarem! Nos vemos em breve! uhuuu Brasil lá vamos nós!

    1. Obrigada amiga! Com certeza absoluta ainda faremos viagens com muitos vinhos juntas! Temos que pensar um destino novo aí pra nós e acho que vai ser Espanha heinnn… Varios Tempranillos para nossa alegria! Uhhuulll… jajá é Brasil! Nos vemos em breve! Beijos!

    1. Oi Omar! Fico feliz que esteja acompanhando e que gostou do post. O mundo dos vinhos é complexo e delicioso ne?! A gente segue aqui viajando e degustando! heheh… Volte sempre aqui. Beijos!

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